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Acidente de trabalho: vítima tem de ficar atenta para fazer valer direitos, Estatísticas ignoram 80% dos casos
De cada cinco acidentes de trabalho ocorridos em São Bento do Sul, apenas um é registrado oficialmente pelo governo. É o que mostra um estudo realizado pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), vinculada ao governo federal.
A constatação, semelhante à verificada em outros municípios do Brasil, revela a necessidade de repensar a estratégia de coleta de dados pelo INSS, hoje descolada da realidade. Também reforça a reivindicação dos trabalhadores por mais participação no controle das condições de segurança.
O estudo analisou 2.598 acidentes de trabalho registrados entre janeiro de 2000 e julho de 2003 pelo Hospital Sagrada Família, o único da cidade. Do total, 1.115 (42%) aconteceram no ramo de móveis. Esses dados foram comparados com os da Previdência Social. Só 19,1% dos acidentes haviam sido informados ao governo.
Em muitas Comunicações de Acidente de Trabalho [CAT] o trabalhador é indicado como culpado por descuido ou negligência, observa a economista Fabiana Carvalho da Silva, que realizou o estudo com Artur Carlos da Silva Moreira. Ela acredita que vários profissionais de segurança do trabalho, por serem atrelados às empresas, não têm liberdade para expor sua convicção.
Perfil das vítimas
O estudo indica que a idade média dos acidentados é 27,6 anos. Os homens representam 87% do total. Operadores de máquina (45%) e ajudantes de produção (31%) são a maioria. Um quarto dos acidentes ocorreu em junho e julho, meses frios. Cerca de 72% vitimaram trabalhadores que ganham de um a dois salários mínimos – o piso é de R$ 457,20 e a média salarial, R$ 600,00.
Dedos são 47% das ocorrências, mãos, 18% e pés, em torno de 8%. Ferimentos de tronco e coluna também são comuns, indicando jornada excessiva. O período da manhã concentra a maioria dos acidentes. Em 20 empresas consultadas, nenhum funcionário novo passou por treinamento.
A Fundacentro quer realizar um seminário na região para mostrar aos empresários que segurança não é custo, é investimento. Está em andamento um novo estudo em São Bento do Sul para investigar a qualidade de vida no trabalho e a visão patronal sobre Responsabilidade Social das Empresas.
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